Pensar em democracia sem acessibilidade é abolir totalmente o sentido que essa palavra representa. Democracia, acima de tudo, é fazer com que a sociedade tenha ingresso e interferência em todas as decisões estabelecidas por um oligopólio (que infelizmente existe) ou pelo Estado (que pode ser entendido como o grande manipulador em busca de seus interesses). Pelo menos, é isso que se entende ao ler o pequeno texto do Art. 1º da Constituição: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes (...)”.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
A utopia da democracia
Porém é utopia imaginar viver democraticamente num âmbito onde a maioria é restrita às informações e as decisões são tomadas sem nem ao menos serem mencionadas à quem realmente possui todo o direito de contestá-las: o público.
Pior que toda essa negligência de cidadania, é vetar que determinado grupo - que faz parte dessa sociedade – não satisfeito com as ‘regras e resoluções’ estabelecidas pelos detentores do poder, tenha o direito de se opor a essas decisões, não os dando oportunidade de exporem seus ideais: calando a tão poderosa ‘voz do povo’ e suprimindo a liberdade de expressão.
Não só fazer uso de uma borracha nas idéias contrárias, a ‘democracia oligárquica’, com o fim de vencer pelo cansaço, burocratiza todas e quaisquer controvérsias ou movimentos que fujam dos seus interesses. Disso conclui-se que, grande parte dos projetos e inovações (que vêm como forma de neutralizar os danos que causam à sociedade) criados por esses oligarcas são instrumentos de manipulação, pois é através dessas criações em que seus discursos se basearão para persuadir todos a comprarem sua famigerada ideologia (óbvio que) objetivando fins, ou lucrativos para se fortificarem ainda mais, ou de trazer o comodismo e a inércia para que tudo permaneça como está.
As conseqüências abstinentes que o conservadorismo elitista traz à sociedade desperta o sentimento revolucionário: a vontade de abrir a boca e questionar como toda essa opressão só traz a inatividade coletiva e a escalada para o próximo zero na conta dos opressores. Tendo isso em vista, o indignado terá o fundamental papel de mobilizar o público a qual pertence, buscar seu apoio e derrubar os ‘ideais ditatoriais’; conquistar a credibilidade, não só da maioria, como também dos ‘inimigos’ e ter a oportunidade de representar a sociedade a qual pertence.
Mas para chegar a subir degraus nessa ‘escada dos direitos humanos’ é preciso ter, primordialmente, peito para bater de frente contra os discursos homogeneizados da classe dominante, contra a fortaleza ideológica que essa classe obriga seus vassalos defenderem (pois são esses os fins de sua intensa propaganda) e contra os ‘irrecusáveis acordos’ que possam propor (entenda-se propina ou ameaças).
Subindo esse degrau, esse(s) grupo(s) indignado(s) terá que conscientizar a massa que essa rotulação conservadora nada mais é que estratégia publicitária que visa banalizar o real e emburrecer a população mais e mais, para que continuem a consumir seus produtos e idéias e encham seus bolsos de notas de R$100.
Superar todos esses processos (tarefa árdua; difícil, quase impossível) é uma vitória. Contrariar os poderosos é vitorioso. Entretanto, a verdadeira prova de que o espírito revolucionário é exercido e o Art. 1º realmente concretizado, acontecerá quando o indignado subir no degrau do poder, olhar para o povo a qual pertenceu e enxergar que, sem eles a seu favor, não representaria nada. E, ao verem que alguém conseguiu inserir um discurso diferenciado no topo, podem se espelhar e acordar para exigirem seus direitos, que parecem ser camuflados com a idéia de democracia contemporânea.
Postado por Tiago Ferreira da Silva às 20:25
Marcadores: Educação, Política, Sociedade
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