Grande alvo de críticas, principalmente pela população da classe média, ditos "politizados"; e a mídia, Luiz Inácio Lula da Silva incomoda por seu jeito de fazer política. Escândalos à parte, o gancho para escarrarem a indignação no Presidente se encontra no seu Programa Bolsa-Família.
Articulistas políticos de jornais e a maioria dos jovens universitários dizem que esse programa nada mais é que uma forma de aumentar sua popularidade, para garantir voto nas próximas eleições.
Articulistas políticos de jornais e a maioria dos jovens universitários dizem que esse programa nada mais é que uma forma de aumentar sua popularidade, para garantir voto nas próximas eleições.
Vozes esbravejantes, ao se inconformarem com o método "lulista" de governar, não se dão conta (ou pelo menos não querem se dar) dos benefícios que seu programa vem desenvolvendo.
Através de um estudo dos especialistas Sergei Soares, Ricardo Paes de Barros e Marcelo Néri, juntamente com um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Programa Bolsa Família está afastando o Brasil daquela calamidade que o povo sempre reclamou: a diferença de classes.
O índice de desigualdade brasileiro, segundo a pesquisa, caiu de 0,583 pontos em 2003 para 0,568 em 2005 (quanto mais próximo do zero melhor). O Programa Bolsa-Família, que dá assistência à mais de 10 milhões de famílias, tem fundamental papel nesse índice porque auxilia pessoas de baixa renda. Além do mais, beneficiários desse programa devem ter seus filhos na escola, o que faz com que os jovens por ele atendidos estudem com maior freqüência.
O colunista do jornal O Globo, Merval Pereira, publicou semana passada: "Entre o público de 7 a 14 anos atendido pelo Bolsa Família, a taxa de freqüência escolar é 3,6 pontos percentuais acima da observada no conjunto dos não-beneficiários. No público feminino, essa diferença chega a 6,5 pontos percentuais, e no Nordeste é ainda maior: 7,1 pontos percentuais".
Não é a toa que grande parte do povo nordestino venera Lula. A última pesquisa de satisfação com o governo do presidente indicava maior popularidade no Nordeste. Graças ao que? ao seu programa assistencialista, claro.
Opção dos necessitados
Movimentos de indignação para com o petista não faltam. A nova agora é o "Cansei", da OAB, que nada mais é que uma propaganda panfletária, que traz para si artistas com fim de convencer a população à vociferar o impeachment do Presidente. Nada mais que jogada política da mídia.
Todos sabemos a insatisfação que o governo Lula traz ao país. É mensalão, licitações, lobby, caixa dois, palanquismo, eterna campanha, negligência. Há muito o que criticar sobre o petista.
É um governo ambivalente. Por um lado, enriquece cada vez mais banqueiros, causa revolta na população contrária ao seu governo (que se concentra no eixo Rio-São Paulo) e encobre apadrinhamentos existentes no Planalto. Por outro lado, ajuda o povo carente a sobreviver, estimula crianças beneficiárias do programa assistencial a irem mais às escolas e afasta o Brasil do índice de desigualdade.
Certo que, melhor para a nação seria se tivéssemos um presidente que realmente representasse o povo e criasse maiores oportunidades de emprego para os brasileiros. Para se adaptar ao governo Lula é necessário ter mais altruísmo com os beneficiários que preocupação com suas necessidades.
Agora, ao olhar para trás, dificilmente enxergaremos um governo que se preocupasse com a precariedade de quem passa fome. É indubitável que o Programa Bolsa-Família é um projeto de campanha, mas, se tirarmos Lula do palanque, será que teremos alguém capaz de olhar por esse povo sofrido?


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