quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Retratos explícitos do Brasil

Com imensos 8.511.965 km² e uma população de mais de 170 milhões, o maior país da América do Sul parece não se dar conta de visualizar e atender todos os seus 26 Estados.

A opinião pública, o que é datado, o retrato brasileiro, as principais notícias, centros de estudo e até mesmo os cartões postais que identificam o Brasil em relação aos estrangeiros se restringem as suas duas maiores e mais povoadas cidades: São Paulo e Rio de Janeiro.
Quantos já escutaram, viram ou leram sobre as estatísticas opinativas da região de Mato Grosso? Quem já se interessou por um filme localizado no Amapá? Quais são os mais marcantes traços de um cidadão do Acre?

A diversidade aqui existente é imensa para que seja estabelecida uma nacionalidade paulistano-carioca, impressão que se dá, principalmente, ao ter conhecimento da direção dos projetos políticos, do cenário televisivo ou a manchete dos jornais impressos.

Por mais que tente caçar nos meios de comunicação notícias sobre regiões brasileiras 'camufladas' como países do Norte e Centro-Oeste, nada mais vejo que quueimadas decorrentes da Amazônia e da baixa fiscalização nesses locais.

Baixa fiscalização que se justifica pela miopia dos políticos em não enxergarem esses estados e procurar atender às necessidades de seus povos.

IDENTIDADE NACIONAL

A febre citadina tomou tanta conta do panorama nacional após o período da industrialização, que, para vociferar contra ou a favor de determinado momento político do país é preciso residir no eixo Rio-São Paulo.

O domínio das fábricas sobre a agricultura brasileira influenciou tanto, que os costumes vigentes, o comportamento e até mesmo o 'sotaque nacional' são homogeneizados pela rotina da cidade grande.

Isso se manifesta de maneira tão estrondosa, que ouvir alguém puxar demais o 'r' ou o 's', ou falar de maneira diferente do que é visto nos padrões televisivos da "correta pronúncia da língua portuguesa", que chega a ser motivo de chacota, de risos infindáveis para os 'privilegiados' do Sudeste.

O engraçado é que, a maior parte do Brasil se encontra justamente nesses longínquos, enfermos e 'hilariantes' estados do Norte e Nordeste. Adoraria - mas não sei se é por falta de informação minha ou negligência da mídia em não mirar seus repórteres para esses locais - saber o que acontece em estados como Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Sergipe, Alagoas, Tocantins, Mato Grosso do Sul, assim como tenho conhecimento das notícias da Terra da Garoa e da Cidade Maravilhosa.

No Brasil, não existe um Estado unificado em que todas as regiões são unidas e possuem os mesmos comportamentos; o que acontece é que a diversidade é tão imensa, que toda a concentração e preocupação, infelixmente, se foca apenas no Rio e em Sampa. E esse foco prejudica tanto o contexto nacional a ponto de não traçar um panorama geral do que acontece em todas as regiões brasileiras. Se se satisfaz os cariocas e paulistanos, vamos bem. Lá estão concentrados as principais fontes de renda e é onde residem os mais ricos cidadãos do País.

O que existe no Brasil são fragmentos de uma identidade. Uns falam 'oxente', outros tomam chimarrão, outros carregam baldes, outros enfrentam numerosas filas em seu cotidiano.
A identidade nacional tem menos de 10% da expansão territorial vista no Atlas. São os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Brasília pode migrar para um desses estados já que não é tão grande mesmo).

Para o 'resto' daquilo que tanto orgulhamos de chamar de nação, deixemos ao léo e vamos esperar uma nova Independência para decidir o rumo dos execráveis cidadãos que tanto atrapalham o desenvolvimento do maior país da América do Sul.

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