segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Segregação curricular



Você é estudante da USP? da PUC? do Mackenzie? da UF? Se sim, sinta-se felizardo, pois o mercado de trabalho certamente visualizará seu currículo com outros olhares. Agora, se você não teve a oportunidade de se matricular em uma faculdade de tradição, de estudar para os embaraçosos vestibulares dessas instituições ou simplesmente não possui 'competência' para pisar os pés nessas louvadas escolas, pode começar a derramar as lágrimas, lamuriar, saltitar de cólera...

Aceite, você será visto como um estudante inapto e inabilitado para exercer suas habilidades nas grandes e influentes empresas da qual tanto sonha trabalhar. Ou você acha que os participantes selecionados para participar do espalhafatoso 'O Aprendiz', do galã Roberto Justus, são profissionais formados em ‘reles’ universidades como UNIP, UNIBAN ou Faculdade Interlagos? Se assim pensava, perdão por desiludi-lo.

O rótulo diz tudo. Sim, porque para lecionar nessas universidades, seu diploma deve ultrapassar o Mestrado – lógico, feito em alguma escola federal. Ou você também acha que para dar aula em uma Mackenzie da vida, são selecionados docentes de instituições ‘inferiores’, como as já citadas?
Certamente o rótulo não define a inteligência e capacidade de nenhum ser. Os empregadores se reduzem a fazer um pré-julgamento intelectual apenas pelos (importantíssimos) currículos de quem caça emprego. E, se a universidade que estuda é vista com bons olhares, creia: seu currículo será superior aos demais. Formou-se em Harvard, Oxford ou Princeton? Espetacular! Que patrão não gostaria de ter como súdito alguém com experiência estrangeira! Seria um passo a frente para a empresa.
Rótulos superficiais

Triste saber, mas essa separação de ‘profissionais bem preparados’ – formandos ou formados em universidades de respeito, onde professores são, tradicionalmente, excepcionais no que se diz ao quesito ensino – e ‘profissionais preparados’ não são notórias apenas em empresas e universidades. Se um aluno se deparar com um professor formado em uma instituição não muito reconhecida, obviamente vai comentar com seus amigos que suas aulas não são boas, que seu conhecimento é ínfimo e seu ensinamento, pífio.

Vale lembrar que esse jovem argumentador um dia irá se formar e saberá o quão difícil é ingressar em uma reconhecida (que não quer dizer grandiosa) faculdade; acertar um considerável número de questões que nem de longe testam sua competência e tirar do bolso uma quantia para a mensalidade que nem sempre é compatível com sua renda.

Caso não seja aprovado nessas valiosas instituições, será obrigado a matricular-se nas ‘inferiores’. E, lá aprenderá o ‘necessário’ para se tornar um bom profissional.
Rótulo não significa qualidade. Uma universidade não pode ser julgada pelo seu vestibular. Não é porque é fácil passar em uma Magister da vida, que seu ensino será reduzido. Bato naquela velha tecla de que, quem faz a faculdade é o aluno. É certo que se pagará por não poder passar em uma escola reconhecida: as portas se estreitarão. Currículo não demonstra aptidão, inteligência, competência ou profissionalismo. Um formado em jornalismo na Cásper Líbero pode não ser tão capaz quanto um formado pela Anhembi Morumbi. E, lógico, não dá para distinguir pelo currículo.
Contra-senso

PUC, Unesp, Usp, UF, Fatec, GV, Ibmec... Quem não adoraria ter um diploma dessas universidades? Alunos reclamam não ter fácil acesso ao mercado de trabalho por não possuirem currículos estampados com um desses nomes. Agora, não acaba sendo contraditório exigir que seu tutor tenha um glorioso certificado?

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