fonte: http://3.bp.blogspot.com/_5kXDB65OFpQ/Rt9ngRrYRaI/AAAAAAAAAB8/22Ar62c7-bo/s1600-h/exercito.bmp O ministro da Defesa Nelson Jobim, ao falar sobre o lançamento de Direito à Memória e à Verdade, livro que fala sobre a ditadura militar no Brasil no período de 1964 a 1985, dizendo que "não haverá indivíduo que possa a isso reagir e, se houver terá resposta", provocou reações de repúdio aos militares.
A obra retrata a trajetória do governo autoritário no país, falando sobre as ações do Exército diante dos oposicionistas do regime, o movimento estudantil que gerou as "Diretas-Já" e o desaparecimento de brasileiros ligados a partidos comunistas ou socialistas.
O Exército, que aguarda seu comandante retornar de viagem, o general Enzo Martins Peri, ainda não manifestou contra o discurso. Mas já explicitaram seu descontentamento, ao falar que foi uma "ameaça desnecessária".
Essa insatisfação, que é de mau agouro, confirma a vontade do Exército em fazer com que a população esqueça dos tempos de chumbo que pairaram sobre a nação. Porque, não dá mais pra camuflar essa onda de assassinatos aos compatriotas que foram contrários à ditadura. Inclusive, existe um arquivo secreto de apenas 15 cópias do Exército, que menciona a causa dos inúmeros desaparecimentos de integrantes do PC do B (como Antônio Alfredo Campos, Francisco Chaves, João Haas Sobrinho), taxando-os como terroristas, que foram mortos por armarem em uma emboscada e caírem em uma contra-emboscada, estrategicamente preparada pelos militantes.
O documento, de 966 páginas, também revela o como e por quê o Exército escondeu informações sobre os guerrilheiros do Araguaia, o implante da censura na mídia brasileira e a tortura - que ao modo de ver militar é benigna por favorecer à ordem social - contra os oposicionistas.
Esse livro, entitulado O Livro Negro do Terrorismo no Brasil, foi desvendado pelo jornalista Lucas Figueiredo, que o publicou na revista mensal Rolling Stone.
Ou seja, o Exército - que não é bobo nem nada -, ao declarar repúdio ao discurso de Jobim, nada mais quer que passar uma borracha em uma realidade que não pode ser negligenciada. A proposta é fazer a população de ingênua, como tentaram fazer ao afirmar que o jornalista Vladmir Herzog se suicidou e que os que combatiam na Guerra do Araguaia sumiram "do nada".
Todos sabemos a extrema importância que os militantes tem para com nosso País, mas se baixarmos nossa cabeça a ponto de sermos clamados como subversivos, estaremos calando nossa boca diante de um fato verossímil e incomensurável.
A palavra "sentido" pode ser direcionada e aplicada aos soldados do Exército, mas não mais à população brasileira, que já sofreu demais com esse tom autoritário durante os lastimáveis dias que duraram o Regime Militar.

1 comentários:
Oi, tudo bom? Estou escrevendo um artigo para o Global Voices (www.globavoicesonline.org) sobre esse assunto e gostei da ilustração... gostaria de saber, caso seja sua, se poderíamos usá-la dando os devidos créditos. Obrigada! Paula (paulissima @ gmail . com)
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