Existe um imenso conjunto de fatores que compõem uma boa música. Uma voz agradável de se escutar, os sutis ou intensos graves que o som do baixo produz, a vasta comunicação que uma guitarra pode proporcionar com um ouvinte, o elaborado ritmo de uma bateria, os prazerosos toques de um teclado ou piano.
São inúmeras junções, separações, experimentações ou compilações que caracterizam aquilo que chamamos de música. Orquestras, concertos, bandas tradicionais, solos ou big band; não interessa a formação, estilo, princípio ou objetivo, se um som é agradável de se ouvir, é bom e faz bem. Como diz o ditado popular "quem canta os males espanta". Mas nesse caso, quem também escuta manda seus males para longe.
Decifrar o que um artista quer passar, entender a vastidão da mistura dos instrumentos tocados durante uma música ou traduzir a letra de uma canção são elementos indicativos para simbolizar o quão amplo é desligar a mente do cotidiano e acompanhar o ritmo musical. Tanto que, para entender mitos que vão de Beethoven e Mozart a Tom Zé ou Chico Science é necessário compreender o perído histórico que viveram, a importância de suas letras, a revolução que causaram ao lançarem seus discos, shows ou orquestras.
Mas esse universo musical, infelizmente, não é isento de preconceitos e repúdios. Por exemplo, gêneros como forró nordestino, o funk carioca ou sertanejos são vistos como canções repetitivas e sem importância por pessoas que julgam escutar um amplo repertório de sons. É que existem categorias que divergem certas músicas: o Movimento Tropicalista na época da ditadura no Brasil que veio com uma proposta revolucionária, o Metal nos anos 70 e 80 que foram de grande importância para os jovens daquele momento, o blues e o soul nos anos 60 que atraíam milhares de pessoas às danceterias daquele período, etc.
Há canções que fazem refletir, outras que proporcionam o questionamento de uma sociedade, aquelas que mexem os sentidos, as que arrepiam e, as que mais trazem prazer para grande parte da população, as canções que entretêem, que devem ser escutadas numa roda de amigos tomando uma cerveja - categoria que engloba os forrós, eletrônicos e os funks cariocas.
Acima de tudo, música é interpretação, convívio, identificação. É preciso vivenciar para entender. O sertanejo pode trazer elementos ocultos indizíveis, que apenas o povo que mora ou já morou afastado da cidade é capaz de identificar, assim como uma orquestra do violoncelista Yo-Yo-Ma fixa um prazer misterioso para amantes da música erudita.
Portanto não se pode julgar uma nota musical, qualquer que seja ela, repetitiva, lírica ou intensa. Pois ela acompanha o momento histórico de determinada pessoa, forma o pensamento de uma tribo, ajuda alguém a encarar a realidade - não importando o gênero musical que gosta de ouvir. E se forró faz parte da vida de fulano, funk da vida de beltrano e música clássica da vida de cicrano, há elementos, ocultos ou explícitos, que fazem essas pessoas se identificarem com o som que escuta.
E não venham com essa de que só porque uma pessoa gosta de músicas que não fazem pensar, que só trazem entretenimento, são mais ignorantes que aquelas pessoas que possuem em sua disqueteira Mozart, Chico Buarque ou Tom Jobim. Somos influenciados por aquilo que vivenciamos e não cabe a especialistas ou experts julgarem o que devemos ouvir ou deixar de ouvir. Pode ligar sem receios o som de sua casa no último volume e colocar o CD do Aviões do Forró, que isso não transparece nada do que pensa, gosta ou tem vontade de fazer.


1 comentários:
bom comeco
Postar um comentário